SENDA DO MESTRE

A SENDA DO MESTRE é uma EMagazine que abre um espaço para curiosidades, textos para reflexão, história, religião, temas místicos, simbolismo e questões do cotidiano. Assuntos relativos à Maçonaria e para os amantes da Virtude, da Sabedoria e da Justiça para a Humanidade. Para receber nossa EMagazine encaminhe um e-mail para sendadomestre@gmail.com. Aqui no Blog selecionamos algumas matérias publicadas anteriormente.

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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A MAÇONARIA NA RESISTÊNCIA FRANCESA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

O papel da Maçonaria na Resistência francesa na Segunda Guerra Mundial
by : Denis Lefebvre – Paris – Revista História-Abril 2012
Tradução José A. Filardo

T
udo começa pela lei de 13 de Agosto de 1940, que trazia a proibição das “sociedades secretas”. Ninguém se engane: por trás destas palavras é a maçonaria que é o alvo. E ela somente. No fundo, os funcionários se viram na obrigação de assinar uma declaração por sua honra de jamais ter pertencido a uma associação secreta ou de ter rompido toda conexão com ela. Depois de 19 de Agosto, um decreto constatava a “nulidade” do Grande Oriente de França e da Grande loja de França. Somente no início de 1941 que são, à sua vez, visadas a Grande Loja Nacional independente, a Federação Francesa Droit Humain, a Sociedade Teosófica… obediências que sido esquecidas em 1940.
  

Em Agosto de 1941, foi promulgada uma lei ordenando a publicação no Diário Oficial dos nomes dos antigos dignitários. Neste mesmo texto, aplicava-se a eles a interdição “de exercer funções públicas e mandatos enumerados no artigo 2 da lei de 2 de junho de 1941, passando a ter o status de judeus.” Avaliza-se assim oficialmente a noção do “complô judaico-maçônico”; perto de 3.000 funcionários perdem seus empregos, a noção de “dignitários” se estende aos maçons que ocupavam cargos no seio de suas lojas, ou seja, no seio da estrutura maçônica de base: 18.000 nomes são publicados. Os franceses descobrem que são irmãos fustigados desde décadas, com fama de dirigirem a França: poucos dos poderosos, cidadãos como tantos outros, carteiros, comerciantes, nenhum deles judeus, muito longe disso. Enfim, um reflexo da sociedade.
Muitos franceses se interrogam, ao ponto de que os anti-maçons devem se justificar quando eles escrevem em 1941 em uma de suas publicações: “Não se trada do valor dos homens, mas da superioridade de sua organização que devemos pesquisar os principais motivos para a força maçônica”.
Este quadro legislativo e realçado por um trabalho em profundidade dentro da sociedade. A ação engajada é multiforme. Os serviços de Vichy e das forças de ocupação colocaram a mão, a partir do verão de 1940, sobre um tesouro extraordinário: os arquivos das obediências francesas e seus documentos mais recentes. Diversos serviços dotados de pessoal e meios financeiros consequentes administram o patrimônio, os classificam e os utilizam. Com muitos objetivos: alguns atacam a história da maçonaria para demonstrar sua influência perniciosa sobre a sociedade; outros estabelecem as fichas de maçons, mortos ou vivos; outros publicam livros ou lançam filmes em cinema como, por exemplo, Forças Ocultas em 1943.

Outros ainda conduzem operações policiais com a finalidade de ajudar o governo de Vichy em sua caça aos funcionários maçons; de verificar suas declarações; de confrontá-las com os arquivos. Eles realmente deixaram a maçonaria e quando? Esta tarefa é conduzida em todo o território pelo Serviço Especial das associações dissolvidas dirigido por Georges Moerschel. Um serviço que em dezembro de 1943 agrupa 23 pessoas. Inquéritos, audiências, interrogatórios, perseguições: nada lhe falta. Os arquivos do Grande Oriente conservaram os dossiês montados durante quatro anos. Eles são edificantes, ao mesmo tempo ricos e pobres, mas reveladores do trabalho efetuado. Para cada pessoa interrogada (forem antigos parlamentares ou cidadãos comuns) encontra-se uma ata da audiência, uma declaração complementar do interessado e, frequentemente, uma lista de documentos ou de material maçônico apreendido em seu domicílio e enviado “às autoridades de Ocupação”.
Alguns deles – examinando as atas – fingiam ter esquecido tudo e quando perguntados sobre os nomes dos maçons que eles conheciam, citavam apenas os mortos. Outros se recusavam a responder. E uma maioria absoluta, este documentos mostram uma grande dignidade da parte das pessoas interrogadas. Mas percebe-se que eles sabem que suas declarações serão confrontadas às de outros.
Encontram-se também nestes cartões os relatórios redigidos depois de vigilâncias a pé ou de domicílios. Eles são muito numerosos e se referem, sobretudo aos dignitários conhecidos: o objetivo é saber se eles estão em uma ação de resistência. O dossiê do industrial Louis Villard, antigo secretário do Conselho da Ordem do Grande Oriente é, neste particular, edificante: ele é seguido quase permanentemente até o verão de 1942 pelo menos, e seu domicilio foi invadido pelo menos seis vezes. A cada dia, um relato manuscrito era redigido. Cada pessoa que ele encontrava era, ela mesma, objeto de vigilância e anotação. Outros, além dele, se “beneficiarão” das mesmas medidas.
O objetivo desses inquéritos era certamente vigiar e verificar as declarações de uns e de outros sobre seu investimento real na maçonaria, medir suas redes no seio da “família maçônica”. Mas, também criar pressões sobre os maçons… para os impedir de entrar na Resistência.
Sim, porque resistência havia. Resistência maçônica? A pergunta merece ser feita. É, realmente, difícil estabelecer as razões da entrada de maçons, homens e mulheres, na ação clandestina. Será que eles fizeram esta escolha aplicando os princípios fundamentais da maçonaria: liberdade e justiça, em particular? Muitos deles (e sem dúvida a totalidade) estão também animados por uma rejeição da ditadura, do fascismo, do racismo, das ideologias totalitárias, da colaboração de Vichy. Eles são patriotas e republicanos. Com frequência também, eles são militantes engajados na vida da cidade, em um sindicato ou partido. Eles podem ser contatados por um maçom, uma camarada, um membro de sua família, um amigo, um vizinho.
Alguns exemplos permitem medir a complexidade do problema. Por que na Martinica, o irmão Maurice des Êtages, um notável local, conselheiro geral socialista, em dissidência dos jovens martinicenses? Por que, a partir de 1940, o governador do Chad, Félix Éboue, socialista e maçom, se junta à France Libre? Em Pas-de-Calais, como analisar a decisão de um Guy Mollet, que entra para a OCM, organização civil e militar? Ele é, ao mesmo tempo, socialista, sindicalistas, professor e maçom… O engajamento maçônico é um elemento de explicação de suas escolhas, mas não exclusivamente.
Por que recrutar os maçons? Eles cultivam a discrição (o “segredo”, diriam alguns), sabem se calar. Este é um dos ensinamentos do trabalho em loja. A priori, eles podem ser confiáveis. Outro elemento é determinante: a composição sociológica das lojas faz com que eles sejam capazes de coletar informações em todos os níveis da sociedade.
Alguns dos “pluralistas” da militância entram, assim, para a Resistência. A escolha da rede não tem a mínima importância: o essencial é agir, de combater na COM, de liberação no Franc-Tireur. Nos movimentos nacionais ou locais, que eles criam ou animam: no Norte, com a Voz do Norte, na zona costeira do Languedoc-Rousillon com o Cotre. Eles estão presentes nas ferrovias (o grupo Maximilien-Fer é uma criação dos irmãos) na polícia (uma presença muito forte no seio da Honneur de la Police), nos Correios e Telégrafos. Em Paris, e também na província: em Limoges, os chefes de três movimentos que estruturam o Exército secreto são irmãos.
Certamente, existe também uma ação resistente especificamente maçônica. A partir de setembro de 1940, os irmãos de uma loja de Saint-Germain-em-Laye se encarregam das atividades de coleta de informações em ligação, em um primeiro momento, com o Serviço de Inteligência britânico, e depois com um movimento francês, o da Liberation. É preciso citar Patriam Recuperare, ao mesmo tempo loja e rede de Resistência, estrutura original criada no outono de 1940 que reunia irmãos e posteriormente profanos por espaços em diferentes níveis. Tudo se interpenetra aqui: manter o espírito maçônico e unir as lojas clandestinas através da França; constituir um comitê de ação maçônica para preparar a resistência oficial ao final da guerra: resistir ajudando os judeus, escondendo paraquedistas, organizando os esquemas de evasão.

Por vezes, também, se eles criam um movimento, os maçons se abrem para o exterior, reunindo à sua ação os não maçons, e não hesitam em se voltar para outras estruturas para que a ação seja ainda mais eficiente. NO final de 1940, cinco irmãos de Saint-Etienne e um profano criam um pequeno grupo que se junta ao movimento Coq Enchainé, antes de migrar para o Liberation, com múltiplas atividades: divulgação de jornais, fabricação de carteiras de identidade falsas, ocultação de resistentes e de judeus, etc. Este Coq Enchainé também recruta entre os maçons de Lyon e no meio da esquerda política e sindical. Em suas publicações, ele defende a República e o secularismo… Referências à maçonaria?
Tudo isso tem um preço e os maçons vão pagar um pesado tributo. Depois da guerra, as listas serão estabelecidas, para cada obediência, mas elas rapidamente se revelam incompletas e os próprios maçons listados pelos jornais nãos estão preocupados em voltar ao passado. Admite-se comumente que 700 irmãos e irmãs morreram durante este período, sejam mortos em combate, seja diretamente em consequência de suas atividades de resistência, seja nos campos de concentração.
Ah, os campos… aqui ou lá, fala-se de lojas maçônicas nos campos de prisioneiros e de concentração… O que pensar disso? Em sua obra A Maçonaria sob a Ocupação, André Combes consagrou um capítulo a esta questão onde ele constata: “nos campos de prisioneiros ou de concentração, maçons reconheciam-se por vezes como tal, mas dispomos apenas de informações imprecisas sobre os contatos que eles puderam nutrir e sobre as lojas clandestinas.”.

Ele cita, entretanto, alguns exemplos: uma loja em Berlim em 1943, outra em oflag em Westphalien, outra – iniciativa do tenente coronel Machet, “instalada” em Nienburg am Weser, e depois transferida para Colditz e em Lubeck. Admite-se que um grupo maçônico funcionou em Auschwitz e que os irmãos reuniam-se em Orianemburg, mas esta história nunca foi escrita.
Em Buchenwald, na falta da constituição de uma loja, os maços deportados estiveram presentes, e mesmo aceitos nesta condição pelo Comitê de Defesa de interesses franceses, enquanto um comitê maçônico foi constituído. É igualmente um maçom, Constantin Buron, que compões no campo O Canto dos Deportados Franceses. Os maçons se reuniam algumas vezes. Não existindo templo, eles desenhavam um retângulo no solo, no interior do qual eles se sentavam.
O que se segue é conhecido. A maçonaria retoma uma atividade legal na metrópole em 1944… mas o essencial foi feito em dezembro de 1943 por Charles de Gaulle em Alger, depois de um pedido dos irmãos. Interrogado, o chefe do France Libre declara: “Nós nunca reconhecemos a lei de Vichy, em consequência, a maçonaria nunca cessou de existir na França.” Segue-se uma portaria contendo a anulação da dissolução das associações ditas secretas.
A maçonaria sai bem enfraquecida destes quatro anos de guerra. Falta-lhe recuperar seus bens dispersos por toda a França. Sobretudo, falta-lhe reinstalar-se em uma vida normal, fazer retornar a ela seus membros dispersos. Com relação a isso, a situação de seus membros parecia trágica. Para se limitar ao Grande Oriente, segundo os números disponíveis, a obediência da Rue Cadet não reagrupou mais que entre 5.000 e 7.000 irmãos – contra 28.000 em 1938 – dos quais a maioria tinha mais de 60 anos de idade. Soma-se a isso uma crise moral, que se precisava assimilar, pois ela percebeu que sua existência podia ser ameaçada: Pétain e o regime de Vichy tinham falhado em consegui-lo, mas foi por bem pouco. Ela também pode medir quanto era odiada por uma parte da população, ela que entendia estar trabalhando pelo bem da Humanidade. Integrando todos estes elementos, profundamente traumatizada, ela se volta para si mesma, por longos anos a fim de se reconstruir.
Post:

In: https://bibliot3ca.wordpress.com/a-maconaria-na-resistencia-francesa-na-segunda-guerra-mundial/
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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

RESOLVIDO MISTÉRIO NA CONSTRUÇÃO DA GRANDE PIRÂMIDE DE GIZÉ

Texto de  Thiago Lincolins

in: Revista Aventuras na História - UOL  


   A construção da Grande Pirâmide de Gizé é um dos tópicos mais discutidos por arqueólogos, historiadores e teóricos da conspiração. Tirando por essa última parte, isso vem desde a Antiguidade: quando César e Cleópatra passaram pelo mundo, ela já tinha 2500 anos - ou seja, eles estão mais perto de nós que dos construtores dela. No século 1 a.C., Diodoro Sículo já escrevia sobre as pedras terem sido içadas por rampas - a teoria ainda hoje mais aceita.
   Ainda que muito não seja mistério, uma parte permanecia aberta a debate: como os egípcios trouxeram pedras de granito de até 80 toneladas da cidade de Aswan, há 800 quilômetros dali, e mais 170 mil toneladas de pedra calcária de Tura, a 13 quilômetros, do outro lado do Nilo.

   A resposta definitiva está no Diário de Merer, encontrado no porto de Wadi Al-Jarf em 2013, cujo resultado do estudo e tradução é agora apresentado. O papiro de 4,500 anos que descreve a rotina dos trabalhadores envolvidos na construção.

   É simples: havia uma sistema de canais hidráulicos cavados do Nilo até a base da construção. Barcos de mateira - restos de um dos quais foram achados no mesmo porto - traziam os blocos cortados de Tura e Aswan. Até 40 trabalhadores então descarregavam-nas por trilhos de madeira sem rodas, de onde iam para os trenós.
   O diário também descreve como os trabalhadores usavam diques para canalizar a água que vinha do Nilo até as pirâmides e como o porto também recebia cobre para criar ferramentas usadas para cortar as pedras.
   Essa pergunta acaba de ser respondida pelo arqueólogo americano Mark Lehner e um time de pesquisadores, cujas conclusões foram apresentadas no documentário Egypt's Great Pyramid: The New Evidence, transmitido pelo Canal 4 da TV britânica.

   O arqueólogo-celebridade e ex-ministro de antiguidades do Egito Zahi Hawass (o simpático e entusiástico senhor que ficou famoso por apresentar documentários com chapéu de Indiana Jones) afirmou que o Diário "é a maior descoberta feita no Egito durante o século 21".



     
http://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/resolvido-misterio-na-construcao-da-grande-piramide-de-gize.phtml#.WcwmJVtSzDc

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

A ESCADA DE JACÓ - Interpretação Rosa Cruz de uma Alegoria Bíblica

  Jacó, o neto de Abraão, teria nos deixado uma alegoria que nos fala dos vários passos que damos durante a trajetória da nossa evolução. Ele sonhou que via uma escada que, estando apoiada no chão, era tão alta que tocava o céu. Tal escada teria sete degraus. No alto dela, lá estava Jeová, o deus de Israel, convidando Jacó a subi-la. “Jacó entendeu que aquela escada era a porta para a “terra prometida”, entendendo-se a ” terra prometida” como o clímax da espiritualidade que o homem atingirá.
 O Rosa Cruz nos apresentam os degraus da escada como se cada um deles estivesse relacionado com uma montanha que aparece em sete episódios históricos vividos pelo povo judeu. Melhor dizendo, a história judaica, desde o episódio de Noé até a chegada de Jesus, teria requerido dos povos judeus sete grandes esforços evolutivos, que todo homem tem que passar em sua existência.

Os degraus corresponderiam aos montes Ararat, Moriá, Sinai, Tabor, Gólgota e Oliveiras.    No primeiro degrau, depois de um dilúvio devastador, Noé, reuniu todos os seus bens e chegou ao monte Ararat, onde encontra refúgio. Dali soltou depois uma pomba que voltou com um ramo de oliveira no bico. Isto lhe revelava: As terras não estavam mais cobertas pelas águas, estavam lhe esperando para fazer um novo plantio. Também nós quando, por erros nossos passamos por problemas devastadores, recebemos de Deus uma nova oportunidade de recomeçarmos levando conosco os bens espirituais que já tenhamos conquistado.  Depois, Abraão dirigiu-se ao monte Moriá. Neste episódio lhe era requerido por Jeová um sacrifício. Sacrificar num holocausto seu único filho Isaac. Ele o pôs então sobre o altar do sacrifício, mas, por sua grande Fé, Deus o poupou. Este é o degrau da fé em Deus, da certeza de que os nossos sacrifícios serão compensados.   O terceiro degrau da escada evolutiva refere-se ao episódio de Moisés subindo o monte Sinai. Ali ele receberia o Decálogo, um código de leis. Ninguém se adianta se não tiver disciplina, da obediência.  Geralmente quando, falamos em obediência não sabemos o que é sermos obedientes aos princípios divinos. Como exemplo, poderíamos citar o que fazemos com um animal que tem demasiada energia, tem capacidade para correr em grande espaço. Então, desobedecendo as leis de seu corpo, o pomos numa jaula minúscula onde ficará cerceado de sua verdadeira natureza.  No quarto degrau encontramos os judeus, após atravessarem o deserto, vindos de uma escravidão no Egito, chegando ao monte Carmelo. Ali encontraram verdadeiros e falsos profetas. Como distinguir os falsos? É o degrau dos conflitos íntimos entre as nossas duas vozes internas Ele são nossos verdadeiros e falsos profetas. É o degrau do discernimento. Como exemplo podemos citar a dificuldade que os estudantes esotéricos encontram em distinguir entre psiquismo  e espiritualidade.    Só após passar o degrau do discernimento poderemos subir o monte Tabor. Ele é o monte da Transfiguração de Jesus. È o degrau do nascimento espiritual. Neste monte Jesus leva consegue representa a obediência aos princípios divinos, Tiago representa a valentia e João é o amor.    Depois desta transfiguração, onde transcendeu todas as diferenças religiosas e culturais, o homem terá que subir o monte do Gólgota. É o calvário da sua solidão, da incompreensão por parte de todos que o cercam. Mesmo estando em meio a um grande grupo, se sentirá só. Terá que persistir em seu ideal sem ajuda. È o teste de sua persistência e a renúncia a reconhecimentos. Como exemplo, temos o caso de Jesus seus discípulos Pedro, Tiago e João. Para transportá-lo somos ajudados por 3 forças superiores simbolizadas nas características dos discípulos. 
  Pedro subindo sozinho o Calvário, incompreendido e abandonado.    Porém, o último degrau refere-se aos momentos de maior paz e felicidade que um homem pode atingir. É o momento da entrega total. É Jesus no Monte das Oliveiras, onde ele se abastecia na unidade com Deus.



Postado por Helyette Malta Rossi às 14:47  in: http://odespertardaespiritualidade.blogspot.com.br/2013/03/a-escada-de-jaco.html
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Local: Caraguatatuba, São Paulo, BRA Ilha Comprida, SP, Brasil

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

ENTENDENDO O HINO DA MAÇONARIA



Texto de  Kennyo Ismail ⋅ elaborado em 7 de fevereiro de 2012 ⋅ 

Da luz que de si difunde
Sagrada Filosofia
Surgiu no mundo assombrado
A pura Maçonaria

   A Idade Média é considerada a “idade das trevas”, os “mil anos de escuridão”, pois a Igreja Católica impedia a evolução da ciência e controlava a educação, promovendo a submissão da razão em nome da fé. Após o fim da Idade Média, tem-se a Idade Moderna, na qual surgiram o Iluminismo e a Maçonaria. A Maçonaria é considerada, junto de outras instituições, a responsável pela difusão do ideal de livre busca da verdade.

Maçons, alerta!
Tendes firmeza      Refrão
Vingais direitos 
Da natureza    

   Os “direitos da natureza” são os direitos naturais, defendidos pelos jusnaturalistas. Trata-se dos direitos considerados próprios do ser humano, independente de época e lugar. Entre esses direitos, destacam-se os direitos a vida, a liberdade, a resistência à opressão, e a busca da felicidade. Esses direitos foram, em outras épocas, tomados do homem através da tirania e do fanatismo. E cada maçom deve defendê-los.

Da razão parto sublime
Sacros cultos merecia
Altos heróis adoraram
A pura Maçonaria

   A alegoria da caverna, de Platão, mostra o homem cego e acorrentado pelas amarras da ignorância, e ensina que a descoberta do mundo deve se dar de forma gradativa. O homem ao sair da caverna sofre como um recém-nascido quando do parto, mas ambos ganham um mundo novo. Após os anos de “mundo assombrado”, a humanidade assiste o nascimento da Maçonaria, uma Ordem cujos ritos cultuam a razão, retirando homens da caverna da ignorância e dando-lhes a luz de uma nova vida. Talvez por isso da Maçonaria ser berço de tantos heróis e libertadores.

(Refrão)

Da razão suntuoso Templo
Um grande Rei erigia
Foi então instituída
A pura Maçonaria

   O grande Rei erigindo um suntuoso Templo da razão é o Rei Salomão, tido como possuidor de toda a sabedoria. E é da construção de seu templo que alegoricamente foi instituída a Maçonaria, visto ter na lenda dessa construção o terreno fértil para a transmissão de muitos de seus ensinamentos. 

(Refrão)

Nobres inventos não morrem
Vencem do tempo a porfia
Há de séculos afrontar
A pura Maçonaria

   “Porfia” significa “disputa”. Apenas as ideias nobres vencem a disputa contra o tempo. A Maçonaria, por sua nobreza de ideais, tem sobrevivido ao passar dos séculos, ao contrário de muitas outras instituições que sucumbiram diante do tempo, sempre implacável.

(Refrão)

Humanos sacros direitos
Que calcara a tirania
Vai ufana restaurando
A pura Maçonaria

   “Calcar” significa “pisotear”, “esmagar”, enquanto que “ufana” significa “orgulhosa”, “triunfante”. Em outras palavras, a estrofe diz que: a pura Maçonaria vai triunfante restaurando os sagrados direitos humanos que foram pisoteados pela tirania.

(Refrão)

Da luz depósito augusto
Recatando a hipocrisia
Guarda em si com o zelo santo
A pura Maçonaria

   A Maçonaria guarda em si, com o devido cuidado, a luz da razão. Em seu interior, a hipocrisia vai sendo “recatada” (envergonhada), enquanto que a verdade é exaltada. A razão, duas vezes citada no hino, está diretamente ligada à verdade, esta o oposto da hipocrisia, pois não existe razão sem verdade, assim como a verdade só é encontrada com a razão.

(Refrão)

Cautelosa esconde e nega
À profana gente ímpia
Seus Mistérios majestosos
A pura Maçonaria

   A Maçonaria mantém seu caráter sigiloso e grupo seleto em proteção de seus augustos mistérios, para que aquelas pessoas ofensivas ao que é digno não possam alcançá-los.

(Refrão)

Do mundo o Grande Arquiteto
Que o mesmo mundo alumia
Propício, protege e ampara
A pura Maçonaria

   E por fim, a Maçonaria é posta como instituição sagrada, da qual o próprio Grande Arquiteto do Universo é favorável, e por isso a protege.

(Refrão)


COMENTÁRIOS FINAIS:

   Questão interessante sobre esse Hino, que recebeu o nome genérico de “Hino da Maçonaria” por não ter sido originalmente nomeado, é quanto a sua autoria. Várias fontes maçônicas o colocam como sendo letra e música de D. Pedro I. Não há documento algum que corrobore com essa teoria. Outras tantas fontes, inclusive o GOB, apontam o autor como sendo Otaviano Bastos, o que é impossível. O próprio Otaviano escreveu em sua obra “Pequena Enciclopédia Maçônica” que a música é de D. Pedro I, mas a letra é de autor desconhecido.
   Há ainda outra questão relacionada ao hino e que merece atenção. Alguns escritores que se propuseram a interpretar o hino, ao se depararem com o termo “recatando a hipocrisia”, não compreendendo seu real significado, cometeram o gravíssimo erro de modificar a letra do hino para “recatada da hipocrisia”, de forma que o hino pudesse se encaixar devidamente aos seus entendimentos, em vez do contrário. Ora, imagine modificar a letra de um hino musicado por D. Pedro I, cujo valor histórico e maçônico é incalculável, para se alcançar a interpretação desejada… é o que podemos chamar de “estupro da história”.
O HINO DA MAÇONARIA:

Ouça pela Loja Maçônica Acácia Maracaense da Bahia o Hino da Maçonaria.

CONSULTAS:

GUIMARÃES, José Maurício: Dissecando o Hino da Maçonaria. Portal “Formadores de Opinião” e Portal “Samaúma”.
RIBEIRO, João Guilherme da C.: O Livro dos Dias 2012. 16a Edição. Infinity.
RUP, Rodolfo: O Hino Maçônico Brasileiro. Portal Maçônico “Samaúma”.
Post : http://www.noesquadro.com.br/2012/02/entendendo-o-hino-maconico.html#sthash.7SzVDi17.dpuf






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PARADIGMAS RENACENTISTAS E ILUMINISTAS



P 
 aradigmas são sistemas de crenças, valores e concepções compartilhados por  uma determinada comunidade. Quando falamos em paradigma renascentista estamos nos referindo ao período da História, em que a Europa sai da escuridão e ingressa na Idade Moderna. Nesse período grandes nomes e clássicos da antiguidade são restaurados e novamente reverenciados. Além disso, surgem grandes nomes e grandes ideias. Assim, temos: Galileu, Leonardo da Vinci, Giordano Bruno, Shakspeare e tanto outros. No século XVIII, a Maçonaria se torna especulativa (1717) influenciada tanto pelo paradigma hermético-renascentista como pelo iluminismo. Vários grupos e Ordens de cunho hermético vão ter grande influência na formação da moderna Maçonaria. Ritos e Mitos das antigas civilizações do Oriente Médio e do Mundo Clássico (Grécia e Roma), além de elementos doutrinários e simbólicos da cabala, da alquimia, da numerologia são incorporados pela Maçonaria Especulativa.  Além disso, não podemos esquecer a visão teológica dogmática, da época, que também tem forte influência sobre a Maçonaria nascida a partir de 1717. É a força e a influência da Igreja, principalmente da Anglicana, na Inglaterra. Daí o teísmo da maioria dos Ritos Maçônicos. Ou seja, a ideia da existência de um Deus único e que se manifesta e revela na História dos Homens.

     Já o paradigma iluminista dá uma outra tonalidade à Maçonaria nascente.

     Podemos entender o iluminismo como um movimento filosófico nascido no século XVIII e que se desenvolve particularmente na França, Alemanha e Inglaterra, cuja característica marcante é a defesa da ciência e da racionalidade, contra a fé, a superstição e o dogma religioso.

  Como no plano político o iluminismo vem defender as liberdades individuais e os direitos do cidadão contra o autoritarismo e o abuso do poder não é difícil entender as grandes revoluções que vão pouco a pouco explodindo na França e nas Américas. Assim, o iluminismo vem fornecer um arcabouço ideológico aos movimentos liberais e revolucionários que vão dar origem à Revolução Francesa, à Revolução Americana e às lutas de Independência da América Latina.

    Não foi propriamente a Maçonaria que fez essas revoluções, mas apenas pelo fato de conviver e compartilhar com as mesmas ideias e ideais iluministas é que ela, através dos seus membros, vai ter uma participação marcante em todas as lutas de libertação na Europa e nas Américas.

  Nos nossos Rituais e outros documentos maçônicos vemos claramente a influência desses dois paradigmas. No Rito Escocês Antigo e Aceito vemos tanto influência da cabala, da astrologia, do misticismo medieval, da numerologia (paradigma renascentista), como do iluminismo (vejam nossos princípios expostos na Constituição do Grande Oriente do Brasil). Já no Rito Moderno há uma prevalência maior do paradigma iluminista, com acentuado tom racionalista, ou seja, a ideia de que o homem pode se emancipar através da razão e do saber. Entretanto, alguns Irmãos e escritores maçônicos tomam partido de um ou outro paradigma como se o seu paradigma fosse o único, quando na realidade ambos tem forte influência na Moderna Maçonaria, desde o seu início no século XVIII.

  É importante entendermos que nenhum Rito é totalmente hermético ou místico e nenhum Rito é totalmente racionalista. O Rito Escocês Antigo e Aceito tem muito do Paradigma Iluminista e o Rito Moderno tem algo do Paradigma Hermético.

Fonte: Loja de Estudos e Pesquisas Maçônicas Sabedoria Triunfante nº 4069:

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MAÇONARIA E IGREJA CATÓLICA, A ORIGEM DOS CONFLITOS

A 
 Maçonaria pode-se dizer, nasceu na Igreja Católica. Como construtores que eram os maçons passavam longo tempo a construir catedrais e mosteiros. Estes pedreiros, homens simples, ignorantes e rudes, recebiam principalmente dos dominicanos, com quem viviam em estreito relacionamento, instrução e evangelização. Além de ler e escrever aprendiam a dar graças, a caridade e os princípios morais do cristianismo. Podemos crer que, nalguns ritos, a prece na abertura dos trabalhos e o tronco da viúva, seja resultado desta convivência. Vejamos, então, como começaram os conflitos.

  A Maçonaria como instituição associativa deu os seus primeiros passos em 1356, quando um grupo de pedreiros se dirigiu ao prefeito de Londres, e solicitou o registro da Associação de Pedreiros Livres.

 Oficialmente registrada e devidamente autorizada, os seus membros passaram a ter certos direitos e vantagens, tais como: Trânsito Livre, naquela época não se tinha a liberdade de viajar; Liberdade de reunião, naquele tempo era proibida, devido ao receio de conspirações e tramas contra os poderes constituídos; e a Isenção de impostos que obviamente agrada a qualquer um.

  Pouco tempo depois, em 1455, Jonhann Gutemberg inventa a impressora com símbolos móveis, e é publicada a primeira Bíblia em latim. Assim, o evangelho passa a chegar mais facilmente a todas as camadas da população. Quem lê, pensa mais e sabe mais. A história começava a mudar.

  Em 1509 subiu ao trono da Inglaterra o rei Henrique VIII que, logo de seguida, se casa com Catarina de Aragão. Porém, mais tarde, apaixonado por Ana Bolena, contraria-se ao não obter do Papa o divórcio para casar com a sua amante. Após insistentes tentativas, revolta-se e simplesmente não reconhece a autoridade do Papa, fundando uma nova religião, a Anglicana.

  Constitui-se como único protetor e chefe supremo da Igreja e do clero de Inglaterra, acaba com o celibato dos padres e confisca os bens da Igreja.

Henrique VIII é excomungado, mas não se preocupa minimamente.

   Com a morte de Henrique VIII em 1547, o trono foi ocupado por vários reis e rainhas até á chegada, em 1558, de Elizabete I que, como Rainha da Inglaterra, solidifica a Igreja Anglicana, como está, até aos dias de hoje. Durante o seu governo, a Inglaterra torna-se uma potência mundial e, embora não fosse um súbdito católico, por tudo que ela fez contra o catolicismo em geral, o Papa Pio V excomungou-a em 25 de fevereiro de 1570. Até aqui, a Maçonaria continuava operativa. Não incomodava e nem era incomodada.

   Em 1600, um fato aparentemente sem importância iria mudar os rumos da Maçonaria. É aceite o primeiro maçom especulativo, de que se tem noticia Lord Jonh Boswel, um agricultor (plantava batatas). Foi o primeiro a ver vantagens em pertencer á Associação dos Pedreiros Livres.

   Em 1646 é aceite outro especulativo, Elias Ashmole. A importância deste fato é que Ashmole era um intelectual, alquimista e rosacruz. Alguns autores atribuem-lhe a confecção dos Rituais do 1°, 2° e 3°grau, graças aos seus conhecimentos de Rosacruz. As lojas proliferavam. Eram mistas ou só de especulativos.

   Em 24 de junho de 1717 é fundada a Grande Loja de Londres e a partir daí a Maçonaria começou a expandir-se e a ser exportada para países vizinhos: Holanda em 1731; França e Florença em 1732; Milão e Genebra em 1736 e Alemanha em 1737.
  Esta estranha sociedade secreta, que guarda segredo absoluto de tudo o que faz constituída de nobres e aristocratas, começou a inquietar os poderes dominantes de cada país. O medo das tramas e subversões para derrubar o poder foi mais forte, e começaram as proibições.

Papa Clemente XII
  Sem saber o que acontecia nas reuniões, sempre secretas, criou-se um alvoroço, e muitos governantes pediam providências ou soluções ao Papa. As alegações eram de que a sociedade admitia pessoas de todas as religiões; que era exigido aos seus membros segredo absoluto, sob severas penas, e que prestava obediência a um poder central de Londres. O que fazer?

  Com o Papa Clemente XII doente, constantemente acamado, totalmente cego há seis anos, rodeado de pessoas que lhe filtravam as informações e ainda sob a pressão dos governantes que exigiam providências e, também, dos inquisidores que exerciam a sua influência, o Papa assinou em 28 de abril de 1738 a Bula In Eminenti, selando assim o destino dos maçons católicos em especial, e da maçonaria em geral.
  Esta Bula excomungava todos os maçons e afirmava que “era bom exterminar essas reuniões clandestinas, pois, poderiam atuar contra o governo”.

 Com a divulgação e publicação da Bula nos países católicos, foram-se desencadeando as proibições. Em França, o parlamento não a aprovou e por isso não foi promulgada. Sendo assim, em França, oficialmente, a Bula não entrou em vigor.

  Nos Estados Pontifícios (Itália desunificada), cuja constituição administrativa era católica, todo o delito eclesiástico era castigado como delito político, e vice-versa. Infringir a religião era infringir a lei. Deu-se então uma verdadeira caçada á maçonaria e aos seus membros.

  A inquisição, encarregada de executar as ordens papais torturou, matou e queimou inúmeros maçons e, logicamente, pessoas inocentes que eram confundidas com maçons.

  Em 1800 foi eleito Pio VII, e durante o seu papado, surge Napoleão Bonaparte. Entre outros feitos, provocou a fuga da coroa portuguesa para o Brasil em 1808 e conquistou Roma, proclamando o fim do poder temporal do Papa mantendo-o preso no castelo de Fontainebleau.

   Pio VII só recuperou parte de suas possessões, com a queda de Napoleão em 1815.

 Nesta época, porém, o mundo já não era mais o mesmo. Os ideais de libertação afloravam e iniciaram-se diversos movimentos pelo mundo, praticamente todos liderados por maçons, que conseguem a independên1769 cia dos seus países.Estados Unidos, 1783; França, 1789; Chile, 1812; Colômbia, 1821; Peru, Argentina e Brasil, 1822. 
   A maçonaria deixou então de ser simplesmente inconveniente e passou a ter mais ação, concreta e objetiva, e com isso recebia condenações mais veementes da Igreja.

   Neste momento façamos uma pequena paragem. A maçonaria até aqui havia sido sempre condenada e perseguida por terceiros motivos. Até esse momento a Igreja Católica nunca tinha sido atingida diretamente pela influência maçônica. O fato que realmente condenou a maçonaria pela Igreja Católica aconteceu no processo da reunificação da Itália. O trauma desse episódio não é esquecido até hoje por alguns setores da Igreja.

   A Itália, nesta época, era uma "Manta de Retalhos", constituída por vários estados entre os quais os Estados Pontifícios, que correspondiam a aproximadamente 13,6% do total da Itália, ou seja, eram 41.000 Km², que pertenciam ao clero e localizavam-se na região central. A população dos Estados Pontifícios não tinha acesso a nenhum cargo público, que era explorado pelo clero. Todos os funcionários públicos usavam o hábito.

   O inconformismo e os movimentos de libertação começam em 1767, sendo os jesuítas expulsos de Nápoles.

Em 1797 é fundada a Carbonária, seita de caráter político independente da maçonaria, que tinha como objetivo principal a Unificação da Itália. Pio VII em 1821, lança a Bula Eccles iam A Jesu Christi condenando a atividade dos carbonários. A Carbonária tornou-se perigosa e prejudicial à maçonaria, pois era confundida com esta. Os Carbonários tinham os seus aprendizes, mestres, grão-mestres, oradores, secretários, sinais, toques, palavras, juramentos e, é claro, segredos.

   Os principais líderes Carbonários: Cavour, Mazzini e Garibaldi eram maçons, por isso, a Carbonária era muito confundida com a maçonaria, porém, diferenciavam-se pela origem, finalidade e atividades. Os carbonários matavam se fosse preciso. Nos Estados Pontifícios explodiram grandes desordens. A insatisfação contra o clero, que não permitiam que os leigos ocupassem cargos administrativos, era grande.

Em 1848 o Papa Pio IX é obrigado a refugiar-se em Nápoles, devido á revolução, e lança após alguns meses a encíclica Quibus Quantisque, responsabilizando a Maçonaria pela usurpação dos Estados Pontifícios.

   Em 1849 é proclamada por uma Assembleia a República em Roma. Nesse momento, Pio IX lançou cerca de 226 condenações contra a maçonaria. Ele e o seu sucessor, Leão XIII, lançaram cerca de 600 documentos de condenações. Em 14 de maio de 1861, Vítor Manoel é proclamado Rei da Itália Unificada.

   Como se vê, a Maçonaria estava condenada. Motivo? A Unificação da Itália... Ideal Carbonário.

   Em 27 de maio de 1917 é promulgado por Bento XV, o primeiro Código de Direito Canônico, também chamado de Pio Beneditino onde se refere à Maçonaria da seguinte forma, no seu Cânon 2335:


"... Os que dão o seu próprio nome à seita maçônica ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis, incorrem Ipso Facto, na excomunhão simplificter reservada à Sé Apostólica."... E mais, recomendava noutros Cânones o seguinte: “   Que as católicas não se casassem com maçons; que seriam privados de sepultura eclesiástica; privados da missa de exéquias; não seriam admitidos em associações de fiéis; não poderiam ser padrinhos de casamento; não fariam a confirmação do batismo (crisma); não teriam direito ao patronato” ...etc.
  Os Sacramentos proibidos são: Batismo, Eucaristia, Crisma, Penitência (confissão), Matrimonio, Ordenação Sacerdotal e a Unção dos Enfermos. Para atender os anseios dos irmãos católicos, a Maçonaria criou o Ritual de adoção de Loutons, de apadrinhamento, Ritual de Pompas Fúnebres e o Ritual de confirmação de casamento.

   Em 11 de fevereiro de 1929 foi criado o Estado do Vaticano pela assinatura do Tratado de Latrão, onde o poder Papal ficava restrito ao Vaticano com 44.000 m2 (anteriormente tinha 41.000 km2) e Pio XI reconhecia a posse política de Roma e dos Estados Pontifícios e afirmava a sua permanente neutralidade política e diplomática, etc. Com o Tratado de Latrão assinado, encerra-se o processo da Unificação da Itália. O ideal Carbonário fora conseguido e a Carbonária desaparece logo após a Unificação da Itália.

Enfim, ficou o estigma da condenação. Em 27 de novembro de 1983, já sob a autoridade do Papa João Paulo II, foi publicado um novo Código de Direito Canônico, que entrou imediatamente em vigor, reduzindo para 1752 os 2414 Cânons do antigo código. O Código mais importante, referente á Franco-Maçonaria, é o 1374: "Aquele que se afilia a uma Associação que conspira contra a Igreja, deve ser punido com justa penalidade; e aqueles que promovem e dirigem estes tipos de Associações, entretanto, devem ser punidos com interdição". Com isto, a maçonaria está legalmente e literalmente livre do estigma.

   Entretanto, no mesmo dia, foi publicada uma Nota no jornal oficial do Vaticano, a Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, que dizia: "...Permanece imutável o juízo negativo da Igreja perante as Associações Maçônicas, porque os seus princípios sempre foram considerados inconciliáveis com a Doutrina da Igreja, e por isso, a inscrição continua proibida. Os fiéis que pertencem às Associações Maçônicas estão em estado de PECADO GRAVE e não podem receber a SANTA COMUNHÃO... Não compete às autoridades eclesiásticas locais, pronunciarem-se sobre a natureza das Associações Maçônicas com um juízo que implica na revogação do que é estabelecida"...

  A publicação da Declaração foi mais uma acomodação política aos minoritários insatisfeitos, e pode-se dizer a contragosto do Papa. Afinal, ela afrontava uma decisão já tomada e aprovada, logicamente pela maioria de toda a Congregação reunida com a finalidade específica de renovação do Código.

   Enfim, com a publicação no novo Código do Direito Canônico, e também da declaração da Congregação para a      Doutrina da Fé, o que mudou na relação entre a Maçonaria e a Igreja Católica? Mudou muito pouco em relação ao que se esperava, mas esse "muito pouco" é alguma coisa para quem não tinha nada. É uma esperança.

  Paciência e esperança, essas são as palavras. A pacificação total virá com certeza, mas não se pode ter pressa. Já foi um enorme passo a publicação do novo Código de Direito Canônico. Na medida em que, paulatinamente, as luzes se forem acendendo no entendimento de cada autoridade eclesiástica, certamente novos horizontes surgirão.

   Vimos, pela própria aprovação do Código do Direito Canônico, que a maioria do clero quer a pacificação, senão ele jamais seria aprovado, e é isto que deve acalentar as esperanças dos católicos, e até lhes dar confiança diante das vicissitudes. Se o progresso é lento para a pacificação total, por outro lado, não há nada que justifique um retrocesso no futuro.

Pelo Ir.'. Roberto Rocha Verdini – Consulta à G.'.L.'.M.'. de Portugal


Postado por Senda do Mestre às 10:25:00 AM Nenhum comentário:
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